terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O Grupo de Louvor do CEI do Novo Milênio

Comecei a frequentar o CEI (Centro de Evangelização Integrada) já faz algum tempo, uns cinco anos. Não muito depois de começar a frequentar no centro de Lages, na rua Manoel Thiago de Castro, fui convidado a participar da congregação do bairro Novo Milênio.

Para quem não conhece, o Novo Milênio é um bairro afastado do centro, que fica para trás do Santa Catarina, onde o vento faz a curva. É um bairro pequeno e de classe baixa. Eu nunca tinha ouvido falar desse bairro antes de ir lá.

Ao chegar lá, me deparei com uma igreja pequena a qual tinha a frente rebocada e sem pintura, e, por dentro, tijolos à vista. Era uma construção sem acabamento. Lá não havia nada que chamasse a atenção, mas foi lá que pude sentir o poder de Deus de uma maneira muito especial. Vi um povo que glorificava o Senhor com vontade, e com muita sede de conhecê-lo melhor.

Realmente foi algo muito marcante na minha vida. Quero deixar claro que não falo isso no sentido de pregar religião para ninguém. Eu só quero compartilhar algo que foi e ainda tem sido maravilhoso na minha vida e portanto de extrema relevância. escrevi bonito agora


Bem, voltando, o pastor então obreiro, irmão Antônio Mendes, um homem simples mas de uma maravilhosa humildade e visão ministerial, não parecia ser um exímio pregador, a começar pelo seus erros de português (que hoje são bem menos frequentes). Mas cada palavra que ele falava era embasada em uma vida de unção e intimidade com Deus. Era forte mesmo. Ele expressava o que tinha no coração e não na mente, e, com sinceridade, falava das coisas de Deus de uma maneira a qual nunca vi alguém falar.


Os equipamentos da igreja, então, nem se fala. Bem, pelo tamanho da igreja até que já era uma bênção ter alguma coisa, que era uma caixinha multiuso de uns dois ou três microfones fedidos (ruins tipo de karaokê).

Minha missão ali seria de, junto com meu irmão Gabriel, montar uma banda para ajudar no louvor. O que tínhamos? O equipamento que já mencionei, um violão, meu teclado (na época um PSR 170 no qual sofridamente fazia alguns acordes), e duas irmãs do bairro que também não tinham experiência musical. Mais tarde, nosso pai, Antônio, também abraçou a causa. Hoje, 31/12/12, tanto meu irmão como meu pai não estão mais na igreja. Amanhã, que por sinal é ano novo, Deus proverá.

Como meu pai já tinha muita experiência musical, facilitou bastante na formação do grupo, tornando-se de imediato o líder da banda.

Do meu ponto de vista, o que mais fez falta naquele momento, além da experiência musical, era a falta de experiência ministerial. Éramos novos crentes meio convertidos e sem muita visão, mas Deus desde cedo teve misericórdia do novo ministério que havia se formado.

O irmão Antônio, líder da congregação, sempre diz, que, ao iniciar os trabalhos no bairro, Deus lhe deu em profecia que em breve haveria uma banda naquela igrejinha. O que era simplesmente impossível pelos olhos humanos, pois, realmente não havia ninguém dos membros que tivesse o mínimo de conhecimento musical, além de disposição para fazê-lo. De onde Deus tiraria esses, que mais tarde seríamos nós?! Pois é, até hoje tem algo que me faz feliz quando lembro é o fato de que somos uma promessa de Deus.

Aos poucos, as coisas foram melhorando, mas não sem muito esforço. Conseguimos um equipamento melhor, uma mesa de doze canais, um par de caixas de som e uma potência. O altar da igreja foi sido ampliado para poder abrigar melhor os instrumentos e os músicos.

Mas isso era apenas um detalhe diante de tudo o que Deus quis nos ensinar. O poder de Deus é tão grande que a gente fica curioso e procura conhecer mais dEle. Não é um simples reteté como dizem, um monte de gente pulando e gritando, como se vê em algumas igrejas (nada contra). Mas o poder de Deus de uma forma que eu jamais havia visto.

Nunca esqueço que em um determinado culto, tocamos o louvor "Bendito Serei", do... Nani Azevedo eu acho, e, nesse louvor, sem que esperássemos, houve um derramamento forte do Espírito Santo o qual nunca havíamos experimentado "no banco da igreja", aprouve que Deus mostrasse isso já quando estávamos "no púlpito". Isso foi muito bom também.

Entre os irmãos que já faziam parte da congregação antes de eu entrar, estava o Anderson, na época ainda um menino, que tinha um propósito muito grande de tocar bateria. Na época tudo o que tínhamos era um "pedaço" de bateria, somente os dois tons e o bumbo. O resto devia estar espalhado no centro e na congregação do Gralha Azul, se não me engano. Enfim, o que eu gostaria de enfatizar era a vontade do rapaz, que cada vez mais insistia que ele deveria tocar bateria conosco, mas na verdade ele não sabia nada de bateria (talvez ele já soubesse os nomes das peças, já que ele que montava a bateria em outros tempos). Na época isso era quase impossível pois nós tocávamos com acompanhamento automático do teclado e era inviável ter um baterista, ainda mais um baterista que não sabia tocar.

Diante da insistência dele, o irmão Antônio sempre pedia para darmos uma oportunidade para ele tocar junto. Nessa época já era um cenário levemente diferente. Meu irmão já não estava mais na igreja e meu  pai estava pensando em sair. Então pensei em ensinar um pouco de bateria para o rapaz, para que ele pudesse acompanhar pelo menos sem atrapalhar muito. Bem, eu também não sabia nada de bateria na época e nem hoje, mas pela misericórdia de Deus eu pude ir aprendendo junto com ele.

Nesse meio tempo tivemos algumas irmãs que entraram para ajudar com as vozes, e outras que saíram. Não vou entrar muito nesse assunto, pois algumas ficaram por bastante tempo, outras por pouco tempo. Até que foi bastante gente e com certeza sinto falta de muitos, mas Deus sabe de todas as coisas.

Nesse meio tempo também pude ir conhecendo os demais membros da congregação, dos quais eu posso citar a hoje obreira irmã Rosinês (que chamamos tia Rose), a qual Deus sabe que tenho um grande amor por ela, uma pessoa humilde e de coração manso. Também a irmã Marli que sempre cantava alguns louvores os quais Deus dava a ela, para que ela compusesse. Não vou citar todos, nessa época da narrativa devia ter mais ou menos uns trinta membros. Irmão Antônio na frente do trabalho, sempre sob a visão ministerial do Pr. Mauro Almeida, presidente do CEI de Lages. Ao seu lado, irmão Aurélio também sempre ajudando na obra.

Mais ou menos nesse ponto da narrativa teve uma eventualidade a qual eu gostaria de relatar. Houve uma irmã, mulher de meia idade, a qual havia ido à igreja pela primeira vez, que foi possuída por um demônio. Isso foi assombrante para todos, para mim também, pois nunca tinha tido uma experiência assim, e hoje posso testemunhar que isto existe mesmo (infelizmente). Não me sinto capacitado para falar de coisas espirituais, não vou explicar como o demônio (ou a legião de demônios) a influenciou, inclusive porque sei que há também outras pessoas que entendem este fenômeno de maneira diferente. Hoje só me convém dizer que o negócio foi forte. A mulher caiu, se contorcendo no chão. Se batia e falava com uma voz diferente e forte. As pessoas tentavam controlá-la segurando-a, mas ela tinha muita força e resistia. Foi difícil expulsar o demônio daquela mulher. Pra encurtar a história, o culto acabaria às nove e meia, mas ficamos até a meia-noite, até que a mulher retomasse sua consciência. Meu pai e eu ficamos tocando louvores (era só o que sabíamos fazer), e, bem, chegou a acabar o repertório inteiro que tínhamos.

A chegada da hoje obreira, irmã Estela Rollsing, foi um marco importante na nossa banda, e na congregação também, claro. Ela já havia sido liderada pelo irmão Antônio em outros tempos no bairro Gralha Azul, onde já cantava, e durante algum tempo saiu de Lages e morou em outra cidade, Canoinhas. Enfim, agora, de volta a Lages, aprouve a Deus que viesse a participar novamente com o irmão Antônio e fizesse parte da nossa quase banda. Com certeza em tudo Deus sempre providenciou e a irmã Estela foi uma dessas surpresas que Deus levantou para que juntos fôssemos abençoados.

Um ou dois cultos depois que a irmã Estela começou a frequentar conosco, seu irmão, Jacob Rollsing, começou a ir também. Uma curiosidade interessante que para minha vergonha ele lembrará pelo resto da vida é que o primeiro culto que ele foi, eu acabei esquecendo a fonte de alimentação do teclado, não podendo tocá-lo. Conseguimos um violão emprestado de uma irmã, que quebrou um bom galho para que pelo menos, como o irmão Antônio dizia, pelo menos um baruinho saiu, entre meus acordes meio mascados.

Algum tempo depois, o irmão Antônio fez uma proposta um tanto ousada para o irmão Jacob, perguntando se ele não queria tocar violão na banda. Nesta época, estávamos sem ninguém para tocar violão, sendo que o meu pai e meu irmão já haviam saído da banda e restávamos eu e o Anderson como instrumentistas. Eu só usei a palavra "ousada" porque o Jacob não sabia nada sobre música, menos ainda sobre violão. Mas prontamente aceitou o convite, pegou o violão da igreja que estava com o irmão Antônio e resolveu que iria aprender.

Nesse momento preciso falar do hoje obreiro, irmão Artur, que tocava violão na sede (centro), que prontamente se dispôs a ajudar, ensinando algumas noções básicas de violão ao Jacob.

Preciso abrir uns parênteses, assim como em 1 Crônicas 4, onde o escritor pára para falar brevemente sobre a vida de Jabes (quem?), assim eu gostaria de falar um pouco do Artur. Artur sempre foi um irmão no qual eu sempre procurei como exemplo diante das coisas de Deus. Jovem como eu, sempre mostrou ter uma responsabilidade tremenda e sempre buscou muito a Deus, além de ser um ótimo músico. Mais tarde pude participar com ele mais ativamente, quando entrei na banda dos jovens no centro, mas isto é assunto para um outra publicação. Naquela época o meu pai já dizia que há alguns anos atrás ele costumava passar na frente da igreja, que na época ainda era na frente do clube Princesa, e via um piazinho tocando violão. "Aquele deve ser o filho do Sílvio", pensava meu pai, e pensou certo, pois desde cedo o Artur já havia iniciado na obra de Deus, mas apesar de ter tempo de igreja, sempre tinha um renovo na sua disposição que o mostrava diferente.

Enfim, o Jacob só recebeu umas duas aulas de violão, porque depois disso torceu o pé e precisou faltar, mas não deixou de praticar em casa. Como eu já sabia um pouco de violão, pude ir ajudando ele também até onde estava ao meu alcance. Em pouco tempo ele já estava tocando conosco. Como dizia o irmão Antônio, é errando que se aprende.

No meio de tudo isso, vou abrir um parênteses, pois não posso deixar de falar do irmão Aurélio, pois Deus passou a usá-lo de uma maneira diferente, pregando. Enquanto o irmão Antônio tinha uma palavra de ânimo e exortamento, no qual falava com ênfase e de maneira forte, o irmão Aurélio pregava uma palavra de sabedoria e conhecimento. O curso de teologia que fez também ajudou bastante, eu creio.

Mais tarde Deus também permitiu que a Ana Carla participasse conosco na banda, participando do coro. Eu acredito que ela também não tinha nenhuma experiência musical, mas Deus a foi trabalhando também de forma especial. A irmã Ana Carla já era membro da congregação e morava bem na frente da igreja, o que ajudava bastante. Até agora, eu, do Petrópolis, a Estela e o Jacob, que moravam no Coral, e o próprio irmão Antônio, e o irmão Aurélio, que moravam no Bela Vista, tínhamos uma certa dificuldade por conta do deslocamento. Principalmente o irmão Antônio, que sempre percorria quilômetros para levar eu, a Estela e o Jacob e o irmão Aurélio (e mais tarde outros irmãos) à igreja, não obstante aos gastos de gasolina e manutenção do seu carro, que na época era um fusquinha branco.

A Ana Carla com certeza foi um presente de Deus para nossa banda. Seu irmão, João Paulo, também gostaria de tocar bateria. Na época acho que ele tinha nove anos. Em vários momentos eu ouvi algumas crianças e adolescentes da congregação dizer que querem aprender algum instrumento, mas a vontade parecia ser tão passageira, que no outro dia ninguém queria mais nada. Eu não sabia, mas com o João Paulo não era assim. Em um ensaio (que eram raros de fazermos pois era difícil o deslocamento), o irmão Antônio pediu que deixássemos que ele tentasse acompanhar em uma música, e, não esperando nada de um piá que até onde eu sabia, nunca havia estudado nada de música, até que ele se saiu muito bem.

Na verdade o João Paulo me fez tomar um ponto de vista diferente sobre o que as pessoas chamam de talento nato. Eu não acreditava nessas coisas, sempre acreditei que alguém conseguia um resultado bom se se esforçasse e gastasse muito do seu tempo em dedicação a algo. Mas com ele foi diferente, simplesmente começou tocando muito melhor que eu, quando tentei aprender algo junto com o Ânderson. Algo que eu achava inconcebível para alguém que nunca tocou bateria, ele já iniciou tocando com o cimbal, a caixa e o bumbo ao mesmo tempo e no ritmo certo. Claro que sempre tinha alguns erros, outros Deus permitiu que fosse aperfeiçoando através da prática. O Anderson também permaneceu conosco tocando e sempre ajudava o João Paulo, instruindo nosso mais novo baterista.

E, quase que por fim, gostaria de falar da Mariana. A Mariana é a filha da irmã Rosinês, lembra que eu falei dela há alguns parágrafos? Pois bem, com interesse e incentivo, ela passou a participar da banda também, ajudando a cantar no backing vocal junto com a Ana Carla.

E, nesse meio tempo, muitas coisas boas ocorreram. Não vou lembrar de todas, e não vou citar todas que lembrar. Eu só tenho a agradecer, pois em todos os cultos que participei, pude voltar convicto que aquela igrejinha é projeto de Deus, pois sempre cremos que Deus é conosco.

Nesse ponto, essa era a nossa formação: irmã Estela, como voz principal (e ministrando o louvor com autoridade do Espírito Santo), também nas vozes a irmã Ana Carla e a irmã Mariana. Irmão Jacob no violão (nesse ponto ele já estava tocando com outro violão que havia comprado e que era bem melhor que o da igreja), eu no teclado e voz (também já com um teclado melhor), e na bateria, ora o Anderson, ora o João Paulo.

Ainda falta um baixista. Eu não sei o que Deus vai fazer a respeito. Graças a ele consegui comprar um contra-baixo e um cubo, os quais às vezes levo pra igreja. O Jacob já se atreve a tocar algumas canções no baixo, se saindo bem, mas já estamos orando a Deus para que ele nos mande um baixista, ou um violonista, para que, neste caso, o Jacob passe para o baixo.

Enfim, o tempo é o que Deus usa para ir trabalhando, e, depois de tudo isso, podemos lembrar do passado e ver que não tínhamos nada, e Deus foi provendo. É maravilhoso poder olhar para trás e ver o quanto Deus nos tem abençoado. Ainda somos aquela promessa do grupo de louvor do Novo Milênio que o irmão Antônio profetizou no primeiro dia de culto. E não temos dúvida que Deus continuará trabalhando nesse ministério e não nos desamparará.

Ainda há muita história que não pude compartilhar aqui, sobre a igreja, os irmãos que vieram congregar conosco, a sede, etc, etc. Lamento se esqueci de alguém ou algo importante. Mas é mais ou menos isso, eu gostaria que todos os meus amigos pudessem ler essa experiência que Deus me proporcionou durante este tempo nesta igrejinha tão simples, mas, não sei quantos irão ler.

Para finalizar, gostaria de deixar um vídeo de setembro, mas acho que é o mais recente que tenho em mãos, de um ensaio nosso. Eu sei que o ritmo está acelerado, o teclado e a minha voz estão baixos, as vozes entraram no contratempo, portanto não aceito críticas.


Para 2013, que por sinal se inicia agora mesmo, só nos resta crer na promessa de Deus.
Feliz ano novo a todos. Obrigado por ler este post enooorme...

Por hoje é só.

4 comentários:

  1. benção mano, eu li completo, realmente é notório as benção de Deus quando se tem um propósito.

    ass. Diego Espinoza

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    1. Fico feliz que você tenha lido, Diego.
      Se prosseguirmos na direção de Deus, pela graça Ele nos abençoará cada vez mais.

      Um forte abraço.

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  2. Tio Rafa...és uma benção meu irmão! A cada dia me surpreendes mais! Que Deus continue te usando a cada dia mais através desse blog, onde possas publicar muitos testemunhos do que Ele vai fazer através da sua vida, e também na congregação do Novo Milênio e do grupo de louvor de jovens na sede. Te agradeço pela citação que fizeste no meu nome...confesso que jamais esperava ser "exemplo" para alguém (e de fato não o sou), mas se assim Deus me usou para que tu pudesses chegar mais perto dEle, O exalto ainda mais!
    Um grande abraço! Te amo em Cristo Jesus e espero anciosamente o dia de voltarmos a tocar juntos e ver os propósitos do Senhor se cumprindo em nós!

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    1. Puxa, Artur, fico muito feliz que você tenha lido e gostado. Claro que você é exemplo para muita gente.
      (Enfim...)
      Estamos com saudades suas (isso também é um pouco redundante). Estamos orando para que o Espírito Santo sempre se mostre ao seu lado para te consolar enquanto não podemos estar juntos.
      Te amamos. Um abraço.

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