domingo, 20 de julho de 2014

Eduardo e a moça do caixa 4

Sábado à tarde. Eduardo, na fila do caixa do semi-grande supermercado da pequena cidade, encontra um pequeno momento de observações gerais. Olha ao redor, o ambiente, as placas, as pessoas com seus rostos inexpressivos. Há também um adolescente que parece digitar algo na tela do celular. Eduardo passa para a frente da fila, e, sendo chamado no caixa 4, aproxima-se prontamente. Coloca sua latinha de batata chips sobre a mesa da operadora de caixa. Esta, solícita, pergunta:
-- Tem cartão de pontos?
-- Não tenho -- diz Eduardo, de maneira quase que cantada e esboçando um sorriso, procurando ser simpático. Típico dos tímidos.
"Ela é linda", pensa ele, observando a maneira que a jovem de olhos castanhos passa delicadamente o produto no leitor de código de barras. Eduardo olha para suas mãos. Não, não há nenhuma aliança em seus dedos.
-- Cinco e noventa e cinco.
Eduardo mostra o cartão que tirara do bolso.
-- Crédito.
-- Pode inserir o cartão... Pode digitar a senha.
Eduardo digita a senha do cartão. Pensa em como quem sabe um dia, em uma vida paralela, poderia chamá-la para sair, quem sabe passear um pouco e se conhecerem melhor. Pensa em como a pediria em casamento alguns anos mais tarde, e como teria uma família imperfeita e feliz. Pensa na maneira que passariam acordados para atender do filhinho que está com febre, e como passariam seus dias...
-- Pode retirar o cartão.
Eduardo pisca forte os olhos como que acordando de uma fração de sonho que teve acordado.
-- Obrigada, boa tarde e ótimo fim de semana -- diz a moça, esboçando um discreto sorriso.
-- Obrigado, pra você também. -- diz ele, pegando a lata de batatas com uma da mãos, enquanto pega o cupom fiscal com a outra.
"Ótimo final de semana... Ela disse ótimo final de semana...", pensa Eduardo enquanto dirige-se para a saída. Eduardo olha para o cupom fiscal, e, procurando no final da nota, encontra "Você foi atendido por: Priscila".
"Priscila...", balbucia Eduardo.

Eduardo nunca mais viu Priscila.

Nota do autor: Eduardo não me representa. Pra ser sincero, acho que temos alguma coisa em comum.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Férias

Férias do trabalho, férias da faculdade...
Agora eu tenho tempo, só falta dinheiro...

Mas não estou reclamando. Graças a Deus deu certinho pra pagar a rematrícula. Mas eu bem que queria trocar a forração do quarto, comprar um notebook e um smartphone novos da Apple, e uma mesa nova pro meu home office/studio, e terminar de pagar o carro, e trocar o guarda-roupa e a cama por outros mais novos, na cor branca, pra combinar com o forro em PVC que eu vou colocar, um monitor maior pro meu computador, também com um kit de mouse e teclado sem fios...
E por aí vai.

Aquele momento que você tem vontade de ter as coisas. Não é sempre.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Ick fahr so uff der Autobahn

Não posso deixar de escrever sobre o treino jogo da Alemanha.
Pensando bem, claro que posso. Mas eu quero falar dos que mamam que eu tive uma oportunidade legal de refletir sobre algo:
Aprendi que na vida, como no esporte, precisamos aprender a ter frieza.
Frieza. Os alemães sabem o que é isso. Os brasileiros não.
Muitas vezes nós temos que deixar nossas emoções de lado para que possamos analisar aquilo que se encontra em nossa frente de maneira racional. As emoções nos atrapalham muitas vezes, e estamos sempre nos aprisionando à elas. E o pior é que gostamos disso e achamos tudo isso muito divertido.

A propósito, curiosidades sobre a Alemanha (ou não):

  • Deixe, nós temos moeda própria e salário mínimo. Ah, e nossos bosques têm mais flores!
  • Arautos do Rei é melhor que Kraftwerk.
  • E a Leson é melhor que a Sennheiser! (quê?!)
  • Os Simpsons sabiam de tudo.
  • E pude comprar um livro com 70% de desconto naquela loja que ofereceu 10% de desconto por cada gol que o Brasil levasse (o nome do livro é Manual de Sobrevivência dos Tímidos).
  • Além disso, no ranking da educação, ganhamos de 35 a 6!
  • No fim, prefiro o Pacífico e a Pazza. E com lápis roxo!
  • A Alemanha só ganhou porque o Brasil não tem tradição de futebol.


Um minuto de silêncio pela morte do Plínio :(

#vivaobrasil!

quinta-feira, 3 de julho de 2014