segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Quanto vale o show?

Quanto vale a vida, se vivida de aparência?
Quanto vale o like, quando está acima da decência?
Quanto vale Deus se reduzido a uma postagem?
Quanto vale o tempo, se é pra digerir tanta bobagem?

Quanto vale a vida, se reduzida a uma tela?
Quanto vale a sua nova série, sua novela?
Quanto vale o amei na sua nova foto de perfil?
Quanto vale o seu textão sobre a política no Brasil?

Quanto vale cada mensagem de feliz aniversário?
Quanto vale cada curtida no seu comentário?
Quanto vale o bitcoin num mundo em que se passa fome?
Quanto vale o show de depressão no seu smartphone?

Em tempo de aparência, o que é raro é a profundidade.
Em tempo de maldade, o que é raro é a bondade
Eu fico com o rei que escreveu Eclesiastes,
Pois tudo que se vê em todo canto é vaidade.
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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Sem falsa modéstia

Queria só deixar registrado que o meu blog, apesar de não ter quase nada de conteúdo relevante à comunidade, é bem melhor escrito do que qualquer blog de notícia de Lages.

E com menos veneno.

E escrito com mais responsabilidade.

Certamente.
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sábado, 2 de dezembro de 2017

Saudade

Era uma vez um menino chamado Matias.
Certo dia ele acordou mais cedo que o normal. Ele estava com saudades.
Olhou para o rádio relógio e este, despertando, começou a tocar alguma música que falava de saudade.
Ele desligou o rádio mas ficou com a saudade.
Levantou e foi ler o jornal. Saudade era a manchete principal da primeira página. Folheou para as outras páginas, mas todas elas falavam saudade. Os classificados, as notícias policiais, tudo. Nas palavras cruzadas, havia uma palavra com sete letras, que começava com "s".

Saiu de casa, pegou o carro e viu que o reservatório de gasolina estava na reserva, e que portanto precisaria abastecer.

Passou pelas ruas que sempre passou. O tempo parecia nublado, apesar do calor. "Saudade à 2km", dizia uma placa.

"Que coisa estranha", disse Matias para ele mesmo. "Esse 'a' não deveria ter crase".

Chegando no posto, o frentista chegou abruptamente à janela. 

"Que saudade de você", disse o frentista. 

"O quê?", disse Matias. 

"Comum ou aditivada?", repetiu ele.

"Comum, completa. No cartão."

Matias desceu do carro e dirigiu-se à loja de conveniência para realizar o pagamento. "Deve ser uma piada do frentista...", pensou. "Afinal, o Mille é um carro econômico. É isso, um carro que gasta pouco, faz todo sentido..."

Enquanto o carro era abastecido, Matias olhou os salgadinhos. "Saudade queijo, Saudade bacon, Saudade churrasco..." Olhou na janela e viu, do outro lado da rua, a Loja da Saudade.

O frentista entregou-lhe a chave do carro, e disse à moça do caixa: "Saudade 4, comum".

"142,24", disse a moça a Matias.

"Débito", disse ele.

Digitou a senha.

"Saudade incorreta" foi o que apareceu na máquina do cartão.

"Sua saudade está errada", disse a moça do caixa.

"Sua saudade está errada". "Sua saudade está errada". "Sua saudade está errada"...

Matias acordou, abruptamente, ainda antes do despertador tocar. Era tudo um sonho. Matias estava suado. 

"Timóteo", sussurrou ele. "Timóteo precisa morrer".

O rádio relógio começou a tocar. 

"Vou morrer de saudade. Não, não vá embora..."
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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Estou usando óculos

Fazia tempo que eu não escrevia por aqui.
Pra quem não lembra mais de mim, meu nome é Rafael e tenho 25 anos.
Trabalho como coordenador de TI da Secretaria de Educação e estudo Sistemas de Informação na Uniplac.

Sim, sou eu.

E aconteceu um marco interessante nos últimos dias: estou usando óculos.

E isso é uma coisa um tanto estranha, porque eu pensei que nunca iria precisar. Na verdade, eu só percebi isso quando fui fazer o teste de visão para renovar a carteira de motorista. Há cinco anos atrás, quando fiz pela primeira vez, foi extremamente rápido para encontrar as letrinhas. Dessa vez, fui todo confiante e me deparei com um monte de letrinhas "embaçadas" e, constrangido, tive que "chutar" algumas.

Enfim, fui considerado apto, mas o carinha que faz o exame recomendou que eu fosse em um oftalmologista, porque o meu olho esquerdo estava pior que o direito. De fato.

Teve outro dia que a gente estava no cinema e eu pedi para experimentar os óculos da Paula. E, pela primeira vez, percebi que com os óculos dela eu enxergava melhor. Bem estranho.

Só que eu não tenho plano de saúde e, talvez por preconceito, não quis ficar na fila do SUS, pois aquele fato foi suficiente para que eu pensasse que deveria resolver isso logo. Mas, como não tenho plano de saúde, e considerando que uma consulta particular com um oftalmologista custa trezentos reais (!), eu decidi ir a um optometrista.

Basicamente, pelo que entendi, a diferença é que o optometrista iria, no máximo, prescrever um óculos adequado para corrigir minha visão, mas provavelmente não iria diagnosticar alguma possível doença que pudesse estar causando isso. Ah, sim, e é três vezes mais barato, então tá ótimo.

Aí eu agendei. E convidei o Lucas pra ir junto. O piá é muito parceiro.

Então a gente foi. O cara colocou uma música clássica pra tocar, pediu para eu sentar e me mostrou uma placa com letras de vários tamanhos. Então ele colocou na minha frente uma máquina que tinha várias lentes, e ele foi alternando dentre as lentes, perguntando qual lente era melhor que a outra. Teve uma ora que ficou perfeito, eu conseguia enxergar todas as letrinhas. Aí ele montou um óculos para eu experimentar, com as lentes corretas. Eu coloquei aquilo na cara. Era irrefragável. Tudo era mais nítido e claro. Eu precisava de óculos e não sabia!

Então ele me receitou os óculos corretos. Eu e o Lucas fomos em umas quantas óticas, procurando um óculos que fosse maneiro e não muito caro. Ele me ajudou bastante. Fomos em vários, vários locais.

Então encontramos uma última unidade na ótica Visão, que tinha o formato que a gente tinha achado massa e, não muito mais caro dos outros que a gente tinha visto, ainda vinha com duas lentes extras, uma escura e uma amarela (para usar à noite, principalmente para dirigir). E parcelava em dez vezes.

Sim, era isso. Encomendei e ficaria pronto no outro dia.

Estranho que eu fiquei um pouco ansioso, mas não ansioso do tipo ruim, na verdade quando eu descobri que poderia enxergar melhor, eu queria pegar meus óculos o quanto antes. Até acordei cedo no outro dia, que era um sábado.

Ali por umas dez horas a mulher me ligou dizendo que os óculos estariam prontos depois das 12h30, mas a ótica fecharia às 13h.

Enfim, consegui de alguma forma me atrasar (como sempre) e às 12h59 eu liguei pra ótica pedindo que por favor ela me esperassem, pois eu já estava quase na frente. Cheguei era mais ou menos 13h01. Experimentei. Perfeito.

Usar óculos é bom e ruim ao mesmo tempo. É uma sensação estranha, pois é um pouquinho frustrante (só um pouco) pois você percebe que tem uma deficiência, mas ao mesmo tempo tem uma alegria ao perceber que posso enxergar muito melhor.

Estou acostumando ainda. Às vezes é um pouco desconfortável e dá vontade de tirar. Tipo, pra comer.

Mas, na moral, no sentido estético, estou muito satisfeito. Eu acho que fiquei 14% mais bonito. Fora que muitas pessoas me elogiaram. Na verdade, eu sempre gostei de óculos no sentido estético da coisa, mas tem o lado ruim também, que é de acostumar.

Estou me achando mais bonito e essa é a parte legal.

No mais, é isso aí. Eu acho.


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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Ainda arde um desejo


Ainda somos meras crianças mimadas criadas em apartamento pela vovó.
Estamos brincando de bolas de gude no carpet da sala de estar.
Mas na sala de estar ainda há uma grande janela.

Nessa janela nós olhamos e podemos contemplar
O quanto as almas clamam por justiça
Clamam por algo de Deus, algo que não conheceram ainda
Clamam por algo mais profundo.
Almas.

Atravessando a rua, no sinal, as almas passam.
Olhando com seus olhares fechados e severos.
Na verdade só estão cansados.
Almas.

A minha vontade é quebrar essa janela
Porque ainda arde um desejo
Ainda arde.
Aquele mesmo desejo pela profundidade
Que o Senhor colocou em mim.
Ele só estava um pouco coberto, mas ainda existe.
E agora ele arde, mais que tudo.

Descobri que a vida só vale a pena quando você está disposto a perdê-la.
Há uma causa maior.
A causa de Cristo.
É muito mais que religião.
As pessoas precisam de amor.
Mas a janela...

Eu preciso parar de me preocupar com as bolas de gude no carpet.
E olhar para as almas.
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quarta-feira, 23 de novembro de 2016