sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Estou usando óculos

Fazia tempo que eu não escrevia por aqui.
Pra quem não lembra mais de mim, meu nome é Rafael e tenho 25 anos.
Trabalho como coordenador de TI da Secretaria de Educação e estudo Sistemas de Informação na Uniplac.

Sim, sou eu.

E aconteceu um marco interessante nos últimos dias: estou usando óculos.

E isso é uma coisa um tanto estranha, porque eu pensei que nunca iria precisar. Na verdade, eu só percebi isso quando fui fazer o teste de visão para renovar a carteira de motorista. Há cinco anos atrás, quando fiz pela primeira vez, foi extremamente rápido para encontrar as letrinhas. Dessa vez, fui todo confiante e me deparei com um monte de letrinhas "embaçadas" e, constrangido, tive que "chutar" algumas.

Enfim, fui considerado apto, mas o carinha que faz o exame recomendou que eu fosse em um oftalmologista, porque o meu olho esquerdo estava pior que o direito. De fato.

Teve outro dia que a gente estava no cinema e eu pedi para experimentar os óculos da Paula. E, pela primeira vez, percebi que com os óculos dela eu enxergava melhor. Bem estranho.

Só que eu não tenho plano de saúde e, talvez por preconceito, não quis ficar na fila do SUS, pois aquele fato foi suficiente para que eu pensasse que deveria resolver isso logo. Mas, como não tenho plano de saúde, e considerando que uma consulta particular com um oftalmologista custa trezentos reais (!), eu decidi ir a um optometrista.

Basicamente, pelo que entendi, a diferença é que o optometrista iria, no máximo, prescrever um óculos adequado para corrigir minha visão, mas provavelmente não iria diagnosticar alguma possível doença que pudesse estar causando isso. Ah, sim, e é três vezes mais barato, então tá ótimo.

Aí eu agendei. E convidei o Lucas pra ir junto. O piá é muito parceiro.

Então a gente foi. O cara colocou uma música clássica pra tocar, pediu para eu sentar e me mostrou uma placa com letras de vários tamanhos. Então ele colocou na minha frente uma máquina que tinha várias lentes, e ele foi alternando dentre as lentes, perguntando qual lente era melhor que a outra. Teve uma ora que ficou perfeito, eu conseguia enxergar todas as letrinhas. Aí ele montou um óculos para eu experimentar, com as lentes corretas. Eu coloquei aquilo na cara. Era irrefragável. Tudo era mais nítido e claro. Eu precisava de óculos e não sabia!

Então ele me receitou os óculos corretos. Eu e o Lucas fomos em umas quantas óticas, procurando um óculos que fosse maneiro e não muito caro. Ele me ajudou bastante. Fomos em vários, vários locais.

Então encontramos uma última unidade na ótica Visão, que tinha o formato que a gente tinha achado massa e, não muito mais caro dos outros que a gente tinha visto, ainda vinha com duas lentes extras, uma escura e uma amarela (para usar à noite, principalmente para dirigir). E parcelava em dez vezes.

Sim, era isso. Encomendei e ficaria pronto no outro dia.

Estranho que eu fiquei um pouco ansioso, mas não ansioso do tipo ruim, na verdade quando eu descobri que poderia enxergar melhor, eu queria pegar meus óculos o quanto antes. Até acordei cedo no outro dia, que era um sábado.

Ali por umas dez horas a mulher me ligou dizendo que os óculos estariam prontos depois das 12h30, mas a ótica fecharia às 13h.

Enfim, consegui de alguma forma me atrasar (como sempre) e às 12h59 eu liguei pra ótica pedindo que por favor ela me esperassem, pois eu já estava quase na frente. Cheguei era mais ou menos 13h01. Experimentei. Perfeito.

Usar óculos é bom e ruim ao mesmo tempo. É uma sensação estranha, pois é um pouquinho frustrante (só um pouco) pois você percebe que tem uma deficiência, mas ao mesmo tempo tem uma alegria ao perceber que posso enxergar muito melhor.

Estou acostumando ainda. Às vezes é um pouco desconfortável e dá vontade de tirar. Tipo, pra comer.

Mas, na moral, no sentido estético, estou muito satisfeito. Eu acho que fiquei 14% mais bonito. Fora que muitas pessoas me elogiaram. Na verdade, eu sempre gostei de óculos no sentido estético da coisa, mas tem o lado ruim também, que é de acostumar.

Estou me achando mais bonito e essa é a parte legal.

No mais, é isso aí. Eu acho.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Ainda arde um desejo


Ainda somos meras crianças mimadas criadas em apartamento pela vovó.
Estamos brincando de bolas de gude no carpet da sala de estar.
Mas na sala de estar ainda há uma grande janela.

Nessa janela nós olhamos e podemos contemplar
O quanto as almas clamam por justiça
Clamam por algo de Deus, algo que não conheceram ainda
Clamam por algo mais profundo.
Almas.

Atravessando a rua, no sinal, as almas passam.
Olhando com seus olhares fechados e severos.
Na verdade só estão cansados.
Almas.

A minha vontade é quebrar essa janela
Porque ainda arde um desejo
Ainda arde.
Aquele mesmo desejo pela profundidade
Que o Senhor colocou em mim.
Ele só estava um pouco coberto, mas ainda existe.
E agora ele arde, mais que tudo.

Descobri que a vida só vale a pena quando você está disposto a perdê-la.
Há uma causa maior.
A causa de Cristo.
É muito mais que religião.
As pessoas precisam de amor.
Mas a janela...

Eu preciso parar de me preocupar com as bolas de gude no carpet.
E olhar para as almas.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Sobre a música

Eu já não consigo separar a música da espiritualidade.
Porque através da música que eu tento expressar minha mente mortal e limitada diante de Deus.
E diante desse relacionamento, acabo percebendo que a música é só um meio, e não o fim.
Mas que belo meio.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Um sonho que me deixou feliz

Eu estava em um lugar, que era muito maneiro.
Era no Centro Cultural Vidal Ramos, eu acho.
E tinha vários instrumentos em exposição.
Tinha teclados, guitarras, baixos, baterias...
Pianos...
Aí eu estava olhando e chegou uma moça que trabalhava lá e disse que eu poderia tocar, que aquele espaço era público e que todos os instrumentos poderiam ser usados pelos visitantes.

Eu já estava pensando em voltar lá para gravar alguma coisa.
Afinal, eu poderia voltar quando quisesse.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Porque sou contra a tributação de igrejas


O fato de existir um projeto de lei para tributação das entidades religiosas é lamentável.

Primeiro, pelos argumentos expostos, que, ao comparar igrejas com empresas, não fazem sentido para uma igreja "de verdade". 
Segundo, pelo rumo que algumas "igrejas" tem tomado, que, ao se comportar como empresas, dão margem para que esses argumentos façam sentido. 
Terceiro, porque o Estado há anos tem se mostrado ineficiente para administrar os impostos (né?), e nesse caso não seria diferente. 
Quarto, porque fere a liberdade da comunidade, pois se alguém quer fazer uma doação a uma igreja, é àquela igreja e não ao Estado. 
Quinto, porque simplesmente não vai resolver o problema proposto, que é o enriquecimento exacerbado de alguns líderes religiosos.

Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus
Sexto, porque, pelo contrário, esses líderes continuarão a existir e encontrarão nisto um motivo a mais para obter ainda mais dinheiro do povo. 
Sétimo, porque as igrejas pequenas, às quais são as de maior atuação  nas comunidades carentes, seriam prejudicadas. 
Oitavo, porque a maioria dos que são a favor do projeto pensam que meia dúzia de pastores que aparecem na mídia são a realidade das religiões no geral. A maioria delas pretende nunca fazer uma doação a uma entidade religiosa. E, afinal, o direito de não contribuir a uma entidade religiosa já existe há muito tempo.


Sinceramente, acho estranho que muitas pessoas sejam a favor disso. Será que elas realmente pensam que o Estado precisa de mais impostos? Será que esses mesmos defendem a CPMF?

Não se trata de tributar líderes religiosos. Trata-se de tributar as pessoas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Primeiras impressões da faculdade - comentado após dois anos



É, sou um calouro universitário agora.
Nem sou mais.
Algumas coisas são como eu imaginava. Outras não, são melhores. Outras deixam a desejar.
Não lembro mais quais são melhores. Ah, acho que era o Canal Direto. Enfim, tiraram do ar e colocaram um sistema que é bem lixo.
Enfim, já imaginava que não adiantava imaginar muito. Mas é legal.
Tem alguns momentos de não muita tristeza, sim.
A primeiríssima impressão que tive foi que é muito cansativo. Trabalhar oito horas por dia e ainda ir pra faculdade à noite cansa bastante. E não tenho tempo para mais nada. Isso que não começaram a pedir trabalhos e outras coisas. Mas, conforme o tempo está passando (já estou estudando há um pouco mais que uma semana), parece que a gente já vai pegando o ritmo.
Já se passaram dois anos e não peguei o ritmo. Mas vamos indo.
Outra impressão que talvez eu venha desmistificar mais tarde, é que o povo lá parece que pensa muito em bebida, o que eu acho chato. Talvez seja implicância de crente, eu não gosto nem do assunto "álcool" e acho ridículo as pessoas que ficam falando disso. Mas eu tenho quase certeza que ainda vou ver que são só alguns.
Na verdade são só alguns mesmo. Imagino que nos outros cursos seja mais. Eu nem gosto de ir muito no Centro de Convivência. Lá as pessoas parecem descoladas e parecem que estão em uma festinha. No meu curso, ninguém esboça um sorriso sequer.
O pessoal da minha turma parece bem legal. Às vezes conversam um pouco demais. É que tem bastante gente que veio direto do ensino médio pra faculdade, e, sem querer discriminar, tem gente que ainda não entendeu que está na faculdade. Ficam com conversinhas paralelas e não deixam a gente dormir direito prestar atenção na aula. Mas tirando isso, o pessoal em geral parece muito legal, e são bem rápidos para se entrosarem. É bom que seja assim, eu acho.
O pessoal são tudo gente boa. Desses aí que conversavam demais, a maioria desistiu, e uns foram ficando para trás em algumas disciplinas. O tamanho da turma não diminui tanto porque vai misturando com os veteranos que também ficaram para trás. É algo absolutamente normal dever disciplinas.
No mais, parece que a universidade é bem organizada.
Na verdade, não.
A gente vai assinar um contrato com cada professor, e este deve deixar claro o que é permitido em suas aulas, o que será cobrado e como serão as questões didático-pedagógicas. Sei lá o que é didático-pedagógicas, mas acho que define bem. Coisas como chegadas tardias, horário de chamada e pausa, etc.
Isso não serviu pra nada. Os professores nem respeitam. Não estão nem aí. Eu também não. Dane-se o contrato. A maioria nem imprimiu pra gente assinar. Hoje nem fazem mais.
Eu achei que iria usar notebook direto nas aulas. Na verdade eu preferiria assim (Evernote ♥), mas a maioria dos professores não... incentiva isto, mas não coíbe se for com intuito didático.
Na verdade, hoje eu gostaria de usar mais caderno e caneta. Porque as aulas que se usa computador são traumatizantes. E nem uso mais tanto o Evernote.
Ah, é. Graças a Deus estou indo de carro. Estou até levando uns amigos de carona sempre que possível, mas uma outra coisa que descobri é que o trânsito é cansativo tanto para sair mas principalmente para chegar à universidade. Normal., na verdade tem que agradecer a Deus porque eu acho que de ônibus seria pior.
É. Muito carro, muita gente, mas acostuma. Não me estresso mais e acabo chegando atrasado todo dia. 
Bem, já tenho aprendido algumas coisas, mas a disciplina mais empolgante é a de Algoritmos, tanto pelo conteúdo como pelo professor.
Até ele insinuar que eu colei em uma prova. Daí fiquei bem magoado. Mas acho que ele ainda vai ser meu orientador se resolver me responder no e-mail.
Mas todas as disciplinas são legais, eu acho.
Não. Não como poderiam ser.
Espero não vir a me contradizer nisto.
As coisas mudam, não é mesmo?
Não sei como fazer um parágrafo para concluir.
Sim, eu sei.
Os professores não sabem dar aula. A maioria tem a educação como um "bico" e não dão a mínima para o aprendizado dos alunos. A coordenação funcionava até reduzirem a carga horária pela metade. O valor da mensalidade subiu absurdamente. Os professores não sabem dar aula. Eu nunca entendia aquele povo que desistia da faculdade quando já estava quase terminando. Agora eu entendo. Entendo também quem se forma e acaba trabalhando em outra área. Isso porque, quanto mais você se decepciona com os professores, acaba detestando as disciplinas, e detestando as disciplinas, acaba ceifando os próprios talentos que poderiam dar frutos. Poderia levar para sempre amizades com colegas que são, de fato, legais, mas no dia-a-dia estou com preguiça de esboçar um sorriso sequer. A gente vai pra aula e perde muito tempo, dinheiro e energia e no final da noite sai com a impressão de que só cansou e não aprendeu nada de realmente valioso. O curso não entrega o que cobra. Eu já falei que os professores não sabem dar aula?
♪ Are you sure... You wanna hear more... ♫
Essa música é um lixo.